Resident Evil: Operation Raccoon City poderia ser o multiplayer ideal da Capcom?


Lançado em 20 de março de 2012 para Xbox 360 e PlayStation 3 e PC, chegando posteriormente ao PC, Resident Evil: Operation Raccoon City tinha potencial para abrir novos caminhos para a franquia Resident Evil. Ao colocar os jogadores no papel de agentes da Umbrella durante o desastre de Raccoon City, o título explorava uma perspectiva inédita da série e poderia ter dado origem a novos projetos focados nas operações secretas da corporação.

Além disso, sua proposta cooperativa e competitiva possuía potencial para estabelecer uma experiência multiplayer duradoura dentro da franquia, algo que a Capcom buscava explorar naquele período.

No entanto, o desenvolvimento ficou a cargo da Slant Six Games, estúdio que apresentou uma ideia promissora, mas que não conseguiu executá-la da melhor forma. O jogo foi lançado com diversos problemas, incluindo inteligência artificial inconsistente, mecânicas de combate pouco refinadas, falhas técnicas e decisões de design que dividiram a comunidade.

Apesar das críticas, Resident Evil: Operation Raccoon City alcançou um resultado comercial considerável. Segundo dados divulgados pela Capcom, o título vendeu mais de 2,9 milhões de cópias ao longo dos anos, tornando-se um dos spin-offs mais vendidos da franquia. Esse número demonstra que havia interesse dos jogadores em uma experiência centrada na Umbrella e nos acontecimentos de Raccoon City sob uma nova perspectiva.

Mais de uma década após seu lançamento, muitos fãs ainda enxergam Operation Raccoon City como uma oportunidade desperdiçada. Com a tecnologia atual e a experiência adquirida pela Capcom com a RE Engine, um remake poderia corrigir os erros do passado e finalmente transformar o spin-off na experiência que sua proposta original prometia entregar.

De acordo com a própria Capcom, Resident Evil: Operation Raccoon City não faz parte da cronologia oficial da franquia, funcionando como uma história alternativa do tipo "what if?" ("e se?"). O jogo reimagina diversos eventos do Incidente de Raccoon City e permite que acontecimentos importantes sejam alterados, entrando em conflito com a linha do tempo estabelecida pela série.

No entanto, isso não significa que a Capcom não possa reaproveitar elementos do jogo no futuro. Caso deseje, a empresa poderia canonizar parte de sua história ou incorporar alguns de seus personagens ao universo oficial da franquia. Entre os elementos mais promissores está a equipe Wolfpack, uma unidade de elite da Umbrella Security Service (USS), criada especialmente para o jogo.


Os membros da Wolfpack são:

  • Lupo – Líder da equipe e especialista em combate tático.
  • Vector – Especialista em reconhecimento, infiltração e operações furtivas.
  • Beltway – Especialista em explosivos e armadilhas.
  • Bertha – Médica de combate e especialista em suporte de campo.
  • Spectre – Atirador de elite e especialista em vigilância.
  • Four Eyes – Pesquisadora da Umbrella e especialista em armas biológicas.

Mesmo não sendo canônicos, os integrantes da Wolfpack conquistaram uma parcela da comunidade de fãs por representarem uma visão inédita da Umbrella durante os acontecimentos de Raccoon City. Um eventual remake poderia ser a oportunidade perfeita para a Capcom reintroduzir esses personagens e adaptá-los à cronologia oficial, preservando o conceito da equipe enquanto reescreve sua participação nos eventos da franquia.

Resident Evil: Operation Raccoon City poderia ser o tão sonhado multiplayer da Capcom?


A Capcom já acumulou três experiências multiplayer que não alcançaram o sucesso esperado dentro da franquia Resident Evil: Umbrella Corps (2016), Resident Evil Resistance (2020) e Resident Evil Re:Verse (2022). Em todos os casos, a proposta envolvia o uso de personagens clássicos da série em modos focados no multiplayer, muitas vezes com sistemas de monetização baseados em cosméticos ou conteúdos adicionais.

No entanto, esses projetos acabaram enfrentando uma série de problemas. Entre eles, destacam-se a tentativa de misturar diferentes estilos de gameplay sem uma identidade clara, além de combates considerados pouco refinados pela comunidade. Outro ponto importante é que alguns desses títulos foram lançados como experiências secundárias, seja de forma separada ou como complemento de jogos principais, o que acabou impactando sua recepção.

Diante desse histórico, surge a discussão: Resident Evil: Operation Raccoon City poderia ter sido o verdadeiro multiplayer da Capcom dentro da franquia?

Diferente das tentativas mais recentes, Operation Raccoon City apresentava uma proposta mais direta e contextualizada, colocando os jogadores dentro de um dos eventos mais importantes da série. Ainda que tenha seus problemas técnicos e de design, o jogo tinha uma base mais sólida em termos de ambientação e narrativa, o que poderia ter sido melhor explorado em um projeto multiplayer moderno.
Como funcionaria um multiplayer viável que se alimenta de conteúdo ao longo do tempo?

A franquia Resident Evil possui uma base de fãs extremamente sólida e engajada. Nesse contexto, muitos jogadores questionam o potencial de um projeto multiplayer mais ambicioso dentro do universo da série — algo que, em teoria, poderia até superar expectativas criadas por títulos como Resident Evil Outbreak, frequentemente lembrado e solicitado pelos fãs.

Apesar disso, a Capcom ainda não explorou plenamente esse potencial de forma consistente. Em minha visão, um multiplayer estruturado como serviço contínuo poderia representar uma oportunidade mais estável de engajamento e receita para a empresa a longo prazo.

Nesse cenário, Resident Evil: Operation Raccoon City se destaca como um exemplo de conceito que poderia ser melhor aproveitado. O jogo permitiria explorar Raccoon City de forma mais ampla e dinâmica, oferecendo possibilidades quase ilimitadas de expansão de conteúdo.

Além disso, um projeto desse tipo poderia preencher lacunas narrativas dentro da cronologia da franquia, aprofundando eventos e expandindo a história de maneira mais orgânica, sem comprometer a experiência principal dos jogos canônicos.

Quais modos multiplayer seriam interessantes para um jogo de Resident Evil: Operation Raccoon City?


Imaginar um multiplayer moderno baseado em Resident Evil: Operation Raccoon City abre espaço para diversas possibilidades dentro da franquia. Um dos formatos mais promissores seria uma campanha cooperativa que recontasse os eventos originais do jogo, mas agora integrada à cronologia atual de Resident Evil, permitindo uma reinterpretação mais coerente com os títulos recentes.

Nesse modelo, o retorno da equipe Wolfpack, da USS (Umbrella Security Service), seria essencial. A campanha poderia expandir significativamente Raccoon City, trazendo novas áreas exploráveis, eventos dinâmicos e maior interação com o ambiente em colapso.

Outro modo possível seria o PvP (Player vs Player). Nesse formato, os jogadores poderiam escolher entre diferentes facções, como a própria USS ou a Echo Six, enquanto enfrentam não apenas outros jogadores, mas também ameaças biológicas espalhadas pelo mapa, como B.O.W.s e infectados pelo T-Virus. Para ampliar ainda mais a variedade, a inclusão da S.T.A.R.S. (Special Tactics and Rescue Service) também poderia enriquecer o conflito entre facções.

Por fim, um modo de operações contínuas também seria uma adição interessante. Esse modo funcionaria como um complemento à campanha principal, com atualizações frequentes e missões curtas e objetivas, como resgatar cientistas importantes da Umbrella ou eliminar membros específicos da USS. Esse tipo de estrutura permitiria uma experiência mais dinâmica e sustentada ao longo do tempo, semelhante ao modelo de jogos como serviço (live service).

Outro formato que se encaixaria perfeitamente nesse conceito seria o modo extração (Extraction Mode). Nele, pequenos esquadrões seriam enviados para diferentes regiões de Raccoon City com o objetivo de coletar informações, recuperar amostras biológicas ou resgatar alvos de alto valor ligados à Umbrella.

Após a conclusão dos objetivos, os jogadores precisariam encontrar um ponto de evacuação enquanto enfrentam não apenas equipes rivais, mas também criaturas biológicas cada vez mais perigosas à medida que o tempo avança. A tensão constante entre completar a missão e conseguir escapar com vida adicionaria uma camada estratégica ao gameplay.

Esse tipo de modo também permitiria sistemas de progressão por equipamentos, risco e recompensa, além de eventos dinâmicos dentro da cidade, tornando a experiência mais imersiva e alinhada com a proposta de sobrevivência e caos característicos da franquia.

É interessante imaginar um jogo moderno reunindo todos esses modos ambientados em Raccoon City ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo, é inevitável perceber que parte desse potencial já foi explorado anteriormente, mas acabou sendo desperdiçado em projetos que tinham ideias semelhantes, porém não conseguiram alcançar o resultado esperado.

Entre ideias mal executadas, limitações técnicas e decisões de design questionáveis, a Capcom acabou deixando passar oportunidades importantes dentro do próprio universo multiplayer de Resident Evil.

Ainda assim, Resident Evil: Operation Raccoon City permanece como um exemplo de conceito com grande potencial. Talvez, no futuro, a Capcom possa revisitar essa ideia e enxergar o valor de um projeto que explore Raccoon City de forma mais ambiciosa, combinando cooperação, sobrevivência e narrativa em uma única experiência multiplayer.
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